André Schiffrin, a edição em contracorrente

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No dia 9 de janeiro o Centro Nacional do Livro, em Paris, rendeu homenagem à memória do editor franco-estadounidense André Schiffrin morto em dezembro de 2013 aos 78 anos. O evento contou com a participação de grandes figuras do mundo editorial assim como de colaboradores e amigos que conheceram o importante editor.
 
André Schiffrin nasceu em Paris em 1935. Seu pai, Jacques Schiffrin, notável editor judeu nascido em Bakou, Azerbaijão, em 1894, tinha se instalado em Paris depois da Primeira Guerra Mundial. Foi em Paris que Jacques Schiffrin criou as Éditions de la Pléiade. A partir desse momento Monsieur Schiffrin se aproximaria do núcleo de escritores vinculados a La Nouvelle Revue Française (A Nova Revista Francesa), revista literária fundada em 1909 e que daria origem, alguns anos mais tarde, às Edições Gallimard. A amizade forjada entre André Gide e Jacques Schiffrin permitiu que em 1933 Gide convencesse Gaston Gallimard de se ocupar da coleção de Jacques Schiffrin. A Bibliothèque de la Pléiade tornaria-se a mais prestigiosa coleção das Edições Gallimard.
 
Jacques Schiffrin permaneceu como diretor da coleção até 1941, quando, durante o regime de Vichy, a família teve de se exiliar nos Estados Unidos. Em New York ele fundou a editora Pantheon Books onde  trabalhou até seu falecimento em 1950.
 
Em 1960 a editora foi adquirida por uma das principais editoras de língua inglesa: a Random House. Em 1962, depois de ter estudado em Yale, Cambridge e Columbia, André Schiffrin tornou-se editor da Pantheon Books. Anos mais tarde tornaria-se seu diretor-executivo dando a conhecer ao publico anglófono os mais destacados pensadores e escritores franceses. Em 1990, o diretor-executivo da Random House, Alberto Vitale, declarou  que Schiffrin estava prejudicando as vendas da editora com a publicação de livros pouco rentáveis. As declarações causaram a demissão de Schiffrin, uma demissão que reverberou no mundo editorial, gerando artigos, debates e inclusive um protesto em frente ao prédio da editora.
 
Depois dessa experiência e com a intenção de se constituir numa alternativa real às grandes editoras comerciais, Schiffrin fundou, em 1992, The New Press. Primeira editora não universitária sem fins lucrativos, Schiffrin foi seu diretor até seu falecimento no ano passado. Desde o início as prioridades da editora se constituíram a partir de objetivos bem definidos: ser um espaço para os escritores cujas ideias, por não serem lucrativas, não encontram nenhum outro lugar de publicação. Por meio de comitês, a editora identifica as áreas que precisam de reconhecimento mas que por falta de livros e de informação permanecem marginalizadas. Trata-se assim de criar uma demanda por obras independentes.
 
Pensador de fortes convicções, nos seus últimos anos destacou-se pela incisividade de suas críticas ao processo de concentração editorial por meio da publicação de vários livros: L'édition sans éditeurs (1999), The Business of Books: How the International Conglomerates Took Over Publishing and Changed the Way We Read (2000), Le contrôle de la parole (2005), L'argent et les mots (2010). Foram traduzidos ao português: “O negocio dos livros” (Casa da Palavra, 2006) e “O dinheiro e as palavras” (BEI, 2011).
 
Há um ano o programa Roda Viva recebeu ao editor André Schiffrin. Veja aqui a entrevista
 
Foto: tvcultura.cmais.com.br
Texto: Sara Tufano

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