A fabricação de uma Pléiade: as particularidades de uma coleção

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Desde 1931 a Bibliothèque de la Pléiade, a coleção mais prestigiosa das Edições Gallimard, tem mantido intacto seu processo de fabricação. Contrariamente ao que muitos pensam, a elegância da Pléiade não dificultou o seu acesso. A ideia da coleção não era constituir-se em uma exclusividade editorial e sim permanecer fiel ao pensamento do seu fundador, Jacques Schiffrin, quem sempre quis dispor as obras-primas da literatura francesa e mundial ao maior numero possível de pessoas. Para esse fim, devia-se ter um cuidado especial com a escolha do papel, com o formato, com a capa em couro e com a tipografia.

Oitenta anos depois, a fabricação de uma Pléiade assemelha-se mais a um trabalho de “artesanato" editorial do que a um trabalho de reprodução em cadeia numa grande fabrica, sem ignorar, claro, as mais modernas técnicas informáticas. Desde a origem da coleção, são os Ateliers Babouot, na comuna francesa de Lagny-sur-Marne, a vinte e oito quilômetros de Paris, os responsáveis pela fabricação da Pléiade.

Depois de um minucioso e, ao mesmo tempo, colossal trabalho de preparação tipográfica, único na história da edição contemporânea, constituído por múltiplas leituras para assegurar que cada virgula esteja no seu lugar, as folhas impressas em cadernos de 32 páginas chegam aos Ateliers Babouot. Nessas 32 páginas vemos a primeira das particularidades da coleção: a fonte Garamond, corpo 9, denominada Garamond du roi, usada desde o nascimento da coleção. Porém, o emblema da Pléiade é, sem duvida, a escolha do papel: o “papel bíblia” de 36 gramas. De cor camurça, ele é fabricado com exclusividade por Tecnologias Bollore e Arjomari, duas grandes companhias de papel.

Os Ateliers Babouot são também os responsáveis pela encadernação plena em couro. Eles recebem os cadernos já dobrados diretamente da imprensa, prontos para ser encadernados. O couro é comprado diretamente no curtume tendo em conta um código que associa cada época à uma cor diferente: verde antigo para a Antiguidade; violeta para as obras da Idade Media; corinto marrom para as obras do século XVI; vermelho veneziano para o século XVII; azul para o século XVIII; verde esmeralda para o século XIX e havana para o século XX.

São essas as particularidades de uma coleção cuja aparência é identica desde 1931, razão pela qual ela é automaticamente reconhecida nas livrarias e bibliotecas das mais diversas partes do mundo.

Veja aqui um vídeo, em francês, da visita aos Ateliers Babouot.
Veja aqui algumas fotos do Ateliê de encadernação.

Texto: Sara Tufano 
Foto: © Hubert Fanthomme

 

 

 

 

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